Hora de olhar para frente – Rock Brasília

[Legiao+Urbana.jpg]

 

Hora de olhar para frente A presença de bandas candangas históricas na escalação do último Porão do Rock jogou luz novamente em um rótulo musical que andava apagado havia mais de uma década: o “Rock Brasília”. Até mesmo o mais cético dos espectadores teve uma pitada de emoção ao assistir ao desfile de gerações roqueiras da capital federal no palco montado na Esplanada dos Ministérios no último final de semana: dos oitentistas Plebe Rude, Escola de Escândalo, Fallen Angel e Detrito Federal até os atuais Watson, The Pro, Superquadra e Móveis Coloniais de Acaju, passando ainda pelos representantes noventistas do Little Quail, Maskavo Roots e Os Cabeloduro – neste pacote, teve espaço até para os cariocas do Paralamas do Sucesso, espécies de padrinhos do rock federal. O clímax do festival foi a homenagem à Legião Urbana, maior nome da história do rock local (e, talvez, nacional), que reuniu membros de bandas brasileiras de diversas gerações. Mais do que uma celebração, a 12ª edição do Porão do Rock acabou trazendo um sopro de motivação para algo que andava bem em baixa: a atual cena roqueira brasiliense. Quem acompanha as apresentações de bandas locais nos últimos dez anos, sabe que, com exceção do Móveis Coloniais de Acaju, o que mais se vê são shows meio vazios, com uma platéia formada quase que somente pelos amigos dos integrantes das bandas. Realmente, nada mais contrastante como os anos de ouro do rock da capital federal, que já viu seus representantes lotando estádios Brasil afora. Neste ponto, o Porão do Rock teve o papel de recordar-nos que vivemos numa capital com vocação não só para o rock, mas para a música POP, de uma forma geral. Cheguei a Brasília em 1989, época em que existia uma verdadeira idolatria em relação às bandas da Capital. Lembro de, em minhas primeiras idas ao shopping Conjunto Nacional com a minha mãe, ver vários estandes com camisas que estampavam o nome de bandas brasilienses à venda. Além disso, era comum ter amigos de escola ou de quadra que tinham bandas, numa proporção bem maior do que em outros estados onde havia morado. O rock era uma espécie de orgulho e hábito locais, principalmente para uma cidade nova como Brasília, que ainda buscava a sua identidade cultural. Viver minha adolescência aqui me fez adquirir uma “alma brasiliense”. E, de uma hora para outra, me vi fazendo parte dessa turma que produzia rock na capital federal. Para a minha geração, dos anos 90, essa história de ser uma banda brasiliense ainda tinha algum valor e rendia até espaço em jornais de outros estados. De certa forma, o estouro nacional da geração anterior (Plebe, Capital e Legião) fazia brotar uma curiosidade por parte tanto do público e crítica brasilienses quanto de outros estados pelo que estava sendo produzido por aqui. O engraçado é que as bandas que “deram certo” nos anos 90 acabaram sendo aquelas que conseguiram se desapegar desse rótulo de Rock Brasília, o tal gênero politizado dos anos 80. Lembro que, no momento de entressafra entre os anos 80 e 90, as bandas que comandavam os shows e pequenos festivais locais eram os clones de Legião & Cia. E, subitamente, aquelas bandas de moleques que tocavam, sem muita pretensão, forró-core, hardcore, rockabilly, reggae, ska e indie rock começaram a ser vistas como as originais e se destacar dentro e fora da cidade. A mesma coisa aconteceu na passagem dos 90’s para os anos 00’s: o que predominava eram os filhotes de Raimundos, até que alguns grupos quebraram o paradigma do rock irreverente e de putaria, para impor uma nova marca “mais séria”. O interessante é que, mesmo ficando cada vez mais para trás, o Rock Brasília dos anos 80 continuou sendo um fantasma (meio conservador, em alguns aspectos) para as gerações posteriores. Isso porque ele se tornou a base de comparação para qualquer banda nova que comece a se destacar na capital federal. Ora, não é preciso ser nenhum gênio para notar que um novo Renato Russo não vai aparecer por aqui nem tão cedo – ou nunca mais. Além disso, sem tirar o mérito dos talentosos artistas dos anos 80, o período pós-ditadura e o Plano Cruzado criaram um clima absurdamente favorável para o estouro de bandas de rock politizadas. Isso nos leva a crer que, simplesmente, é muito difícil que condições tão positivas façam o rock brasiliense voltar a ser uma ‘grife’ e ter o mesmo reconhecimento do passado. E, na verdade, talvez esse parâmetro de estouro nacional nem seja mais muito importante em tempos de internet e “independência”. E é nesse ponto onde quero chegar. No último Porão do Rock, encontrei muita gente que não via há tempos, que foi ao festival para reviver momentos felizes de suas vidas. Nada contra esse saudosismo: eu mesmo faço isso de vez em quando e acho até saudável, se não for excessivo. E quem sou eu para falar de saudosismo num festival que eu mesmo toquei com uma banda já extinta? Por outro lado, chega a ser paradoxal notar que, em um evento que se propõe a elevar a bola do rock brasiliense, as bandas novas da cidade (com exceção sempre do Móveis) estivessem numa posição de tão pouco destaque, confinadas ao Palco Pílulas e concorrendo com as apresentações das grandes atrações. De certa maneira, talvez o rock de Brasília volte a brilhar dentro e fora da cidade quando parar de viver de sua história e passar a olhar para frente, a fazer história.

[Watson.jpg]

 

POR SER UMA CIDADE SEM DONO, BRASÍLIA CORRE O RISCO DE IMPLODIR

POR SER UMA CIDADE SEM DONO, BRASÍLIA CORRE O RISCO DE IMPLODIR

Publicado 30 de outubro de 2013 | Por Riella

                              

WÍLON WANDER LOPES

Cinquenta e três anos depois de inaugurada, Brasília se vê num impasse. Por um equívoco que se mostra desastroso, construída para ser capital federal, virou também capital distrital. E esta dupla condição encheu suas ruas de gente e de carros que, buscando resolver problemas distritais na capital federal, se deslocam das cidades-satélites para o Plano Piloto, inviabilizando a Brasília que Lúcio Costa projetou.

Juscelino deve estar se revirando no túmulo: Brasília ficou mais distrital do que federal.

Além disso, construtoras e empreiteiras que veem a capital federal como uma arca do tesouro, em função do déficit habitacional, continuam a buscar áreas verdes para nelas construir apartamentos.  E, aí, abaixo as áreas verdes!

E haja espigões, como os que deturparam o plano original de Águas Claras. Até quando haverá áreas verdes no DF para saciar a fome das construtoras, a maioria de fora? Foge à lógica, não é sustentável este “progresso” que está deixando nossa Brasília fora dos eixos.

E isso vem gerando problemas de toda ordem para a Brasília federal, para o DF e para o Entorno. Mas, afinal, por que isso acontece? E quem é, ou quem são os responsáveis por tal desastre? Será que falta planejamento em uma cidade que foi tão planejada?

E saltam outras perguntas: o que é Brasília? Brasília é o Plano Piloto? E a tal “área tombada”? Brasília é o Distrito Federal? O que é o Distrito Federal? E o tal do Entorno? Tantas perguntas estão contidas em uma – o que é a Brasília toda que nós vivemos?

Tal pergunta não se resume à questão geográfica nem à histórica. Não haverá solução enquanto não houver uma visão holística do problema. E como temos defendido no Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, dirigido pelo braço direito de JK, o admirável Affonso Heliodoro, a questão é eminentemente política.

Por isso, antes de tudo, é preciso descobrir, primeiro, quem manda mesmo em Brasília. Já foi o Presidente da República. Houve um tempo em que foram as empreiteiras. Já foi a ameaça do dossiê, até os vídeos… E hoje, quem manda?

E o que os nossos bons políticos têm feito? Há uma PEC que pretendia colocar uma redoma sobre o Plano Piloto, com a criação do Estado do Planalto; outra, que aumentaria o território do Distrito Federal, agregando cidades de Goiás; mais recentemente, o deputado Policarpo, também presidente do PT-DF, deu entrada em uma PEC para resolver (?) o problema da confusão entre Brasília e o DF – infelizmente, com solução que gera polêmica: tratar Brasília como se ela fosse o Distrito Federal, propondo ser uma só as duas áreas.

Enquanto Brasília – e o Distrito Federal, sempre a ela vinculado, mas sempre em segundo plano – continua sem dono, aumentam os problemas e diminui a qualidade de vida que a Brasília pioneira ostentava.

Os governadores prometem, até tentam, mas não conseguem melhorar os serviços públicos de transporte público, saúde, segurança e educação. E há dinheiro extra, federal, para custear tais serviços, pagos por todos os brasileiros.

Já se fala até em construir outra Brasília para desafogar nossa Brasília. Mas, e o DF, como ficará sem Brasília? Volta para o Goiás? Como já disse um ex-governador do DF, “o sonho de JK não pode se transformar em pesadelo!”

Já é tarde, mas ainda é tempo. Primeiro, é preciso conter quem está destruindo a Brasília sonhada. Depois, a Brasília toda que vivemos deve ser repensada, no objetivo de se conhecer melhor o que está acontecendo e cuidar de seu futuro e, até diria, sobrevivência, como capital federal. O dono da cidade voltaria a ser o cidadão, que elegeria representantes políticos que entendam e amem Brasília, como pregou Lúcio Costa.

Se não – a exemplo do que está acontecendo, com prédios pequenos do Setor Hoteleiro dando lugar a prédios enormes – , Brasília corre o risco de implodir…

É isso o que queremos que aconteça com a cidade que construímos?

Venezuela descamba para a hiperinflação

 

No “câmbio paralelo”, ou “negro”, o dólar, na Venezuela ultrapassou a barreira – considerada psicológica de hiperinflação – de 50 bolívares por dólar, o que representa estar 8 vezes mais cara do que o dólar vendido pelo câmbio oficial do Palácio Miraflores, de 6,3 bolívares por dólar.

 

O câmbio negro ou “mercado paralelo” tem sido a única forma que a grande maioria dos venezuelanos têm de adquirir a moeda estadunidense à vontade, sem o controle do socialismo bolivariano.

 

 

Muitos estão vendendo o que têm e indo embora do país, e para isso precisam de dólares. O mercado de rua tem sido amplamente combatido pelo governo ‘bolivariano’ e a operação envolve riscos, uma vez que os dólares que não procedem da compra oficial do governo podem ser confiscados pelo regime de Caracas.

 

 

Isso, todavia, não tem diminuído a procura pela moeda americana na mão dos cambistas e doleiros do chamado “mercado paralelo” onde o dólar já é vendido a mais de 50 bolívares.

 

 

O valor alcançado pela divisa americana nas ruas da Venezuela, segundo os especialistas, já representa a transposição de uma barreira psicológica que acreditam ser o limiar da hiperinflação que é de 50 bolívares por dólar, numa demonstração do adiantado grau de deterioração econômica do país, como geralmente tende a ocorrer nos regimes socialistas.

 

 

Nesta semana, as ruas cotavam o dólar “paralelo”, em 53,51 bolívares por dólar, em Caracas, conforme o website www.dolartoday.com que acompanha as transações do mercado negro. Essa cotação de rua do dólar representa uma desvalorização do bolívar da ordem de 75,08 % ao ano, em relação ao valor da moeda americana negociada há 12 meses e que era de 13,33 bolívares por dólar. Ao câmbio oficial, só tem acesso um pequeno grupo de empresários cuidadosamente selecionados pela cúpula do regime de Caracas, que os vende a moeda dos EUA por 6,3 bolívares, valor altamente subsidiado pelo governo e à custa do trabalho do povo.

 

 

Comerciante em Caracas, anunciando a venda da sua loja de comércio com o humor típico da desilusão socialista.

 

No entanto, a maioria dos economistas do país acredita que o dólar está supervalorizado num nível insustentável e prognosticam que o governo de Nicolás Maduro vai se ver obrigado a desvalorizar oficialmente a moeda nacional após as eleições municipais de dezembro. O nível recorde de valor de troca alcançado pelo dólar americano no país, acreditam os analistas, decorre de dois fatores: a diáspora e a falta de liquidez do estado socialista bolivariano. A diáspora econômica é a que ocorre com a saída do país dos capitais privados e da mão de obra especializada que há algum tempo migra para a vizinhança sul-americana, principalmente Colômbia, Peru, Chile e Brasil.

 

 

A falta de liquidez do estado faz com que o governo retenha a moeda americana ao máximo para honrar seus pagamentos aos seus sócios estratégicos (Rússia, Irã, China e países da ALBA), liberando assim um volume de divisas em moeda forte muito aquém do necessário para manter a economia em funcionamento.

 

 

Para compensar, de forma inconsequente – como soe acontecer nesse tipo de regime –, o Palácio Miraflores aumenta enormemente o volume da moeda circulante sem lastro, em bolívares, que fatalmente levará a taxa de inflação a fechar o ano acima dos 50% ao ano.

 

De fato, o próprio governo reconheceu esta semana que a inflação anualizada em setembro foi 49,4 por cento, seu nível mais alto em 13 anos.

 

 

“Com a escassez de dólares em oferta cresce a demanda daqueles que precisam da moeda americana até para ir embora do país. São poucos os que vendem dólares”, disse um professor de economia da Universidade Central de Venezuela. “Isso gera uma escassez progressiva de produtos básicos de consumo que, na Venezuela, hoje está chegando às raias do insuportável e provavelmente o regime se certificará disso com os resultados das eleições municipais de dezembro próximo, mesmo que haja todos os mecanismos eleitorais fraudulentos que tendem a beneficiar a situação e que transformam o regime cada vez mais numa caricatura de democracia”, acrescentou o professor.

 

 

Com os bolsos cheios de bolívares sem valor, os venezuelanos não sabem o que fazer com eles, e não encontram nos mercados muitos produtos básicos tais como açúcar, óleo de cozinha, carnes, papel higiênico, apenas para citar alguns.

 

 

Com a diáspora venezuelana, agrava-se o esvaziamento de capitais privados e de mão de obra qualificada, com redução acentuada da classe média e queda intensa da capacidade produtiva do país tanto no setor primário (agropecuário), como no secundário (comercial e industrial) e mais ainda no terciário (serviços). A própria PDVSA, fonte maior de todas as divisas em moeda forte do país, está tendo sérios problemas de manutenção de suas instalações de extração e refino de petróleo por escassez de mão de obra qualificada, com sua produção tendo sofrida uma queda de quase um terço em relação ao que produzia há cerca de cinco anos atrás.

 

 

As estatizações por confisco puro e simples de ativos privados fizeram com que o governo chamasse a si a responsabilidade de continuar a manter uma produção que está acima de sua capacidade, mesmo reduzindo drasticamente os salários de seus operadores (o que deixa de fora a seleta burguesia do politiburo instalado em Caracas).

 

 

Assim, cada vez mais, Caracas se vê obrigada a trocar petróleo por tudo, uma vez que quase mais nada se produz no país. Os próceres do regime acreditam ainda que o petróleo do país poderá comprar tudo o que o povo necessita, ilusão que a prática começa a desfazer como uma imagem de fumaça.

 

 

Segundo alguns economistas sul-americanos, o país poderá experimentar uma série de “pacotes econômicos” tal como ocorreu no Brasil após a farsa da “abertura democrática” pelo regime militar, com a diferença fundamental de que, no maior país da América do Sul, o regime militar teve a capacidade de montar uma infraestrutura mínima para permitir um crescimento econômico vigoroso. Teve também o bom senso de um governo de centro-esquerda para criar um plano que possibilitasse o controle da inflação e a existência de uma moeda forte e o respeito às leis da economia de mercado.

 

 

Ao contrário do Brasil, a Venezuela não tem nada parecido com isso e está se tornando um país de pobres e miseráveis, uma cópia do que ocorre em Cuba, a fonte inspiradora do falecido Hugo Chávez Frías. O déficit fiscal no país caribenho já chega a 20% do seu PIB e o governo nunca esteve com suas reservas de moeda forte tão baixas, além de continuar a imprimir dinheiro sem lastro de modo frenético.

 

 

O que o ‘socialismo bolivariano’ está fazendo com a Venezuela pode ser comparável a uma “política de terra arrasada”, que se traduz em hiperinflação e paralisação com deterioração do parque produtivo e queda da produção petrolífera. Com os valores do barril de petróleo progressivamente em baixa – e ainda sem mostrar os reflexos da produção norteamericana de hidrocarbonetos derivados do xisto betuminoso – a tendência é a da exportação do petróleo venezuelano continuar a diminuir.

 

 

Assim, como é muito mais difícil estabilizar uma economia baseada apenas na exportação dessa mercadoria, as pressões internas e externas sobre o regime de Caracas deverão naturalmente aumentar o que permite que os entendidos prevejam dias mais turbulentos para o país.

 

 

Nós já vimos esse filme aqui no Brasil, mas tivemos a sorte de contar com o patriotismo e o bom senso dos militares para restaurar a ordem no galinheiro. Ordem essa que, nos últimos dez anos vem sendo deteriorada mais uma vez e tem impedido que o Brasil deslanche de vez como a primeira grande potência latina mundial.

 

 

Brasil e Venezuela estão necessitando – este mais do que aquele — da intervenção de patriotas de bom senso para voltarem a por ordem na zorra em que estão se tornando.

 

Título e Texto: Francisco Vianna, (da mídia internacional), 26-10-2013

 

HD | Holocausto – A Execução do Mal | Dublado

DOCUMENTÁRIO RECOMENDADO
O retrato da evolução do Holocausto. Vamos percorrer os arquivos da Europa Oriental, do Museu do Holocausto em Washington e dos laboratórios de restauração do museu Yad Vashem em Israel, para contar as histórias de perseguição, roubo e morte. Também ouviremos os sobreviventes e a dura realidade que tiveram que viver.

“A história e os sacrifícios nunca devem ser esquecidos e sim constantemente relembrados”
“The story and the sacrifices must never be forgotten but always remembered”